só sei que se fecho os olhos posso fazer um desenho. olhos castanhos, ou marrons, como você prefere chamar. cílios devidamente colocados em seu lugar, até aquele diferente dos outros. nada de bochechas rosadas, mas aquela barba mal feita, mal colocada, já que nunca lhe fiz segredo que não gosto dela. nariz comum. boca incomum. lábios, doces lábios que adoro desenhar. se fecho os olhos sinto o cheiro do meu desenho, que não é forte, que não é fraco. cheiro que é apenas cheiro bom de sentir.
só sei que se fecho os olhos posso descrever o olhar que nem vejo. mãos que me tocam, e que conseguem me ver. começam pelo cabelo, que tanto gosta quando soltos. Desce até as bochechas, que sempre ficam coradas. sempre faz graça quando passa pelo nariz e acaba encontrando meu sorriso. é pra lá que acaba indo. o riso acaba, e você fica onde encontra o contraste perfeito. contraste que chama de perfeito, mas que quando digo achar normal, ri de mim.
só sei que se fecho os olhos sinto. se sinto guardo comigo. quando tenho que ir, ainda tenho comigo. já que tenho comigo, fecho os olhos, me lembro. E por fim, quando me lembro, fecho os olhos e sinto, sinto o olhar, o gosto de mel, o carinho, o cheiro. só sei que é quando fecho os olhos que sinto.
sei que desenho mal.
só sei que quando fecho os olhos aprendo a desenhar.
só sei que se é quando fecho os olhos que posso desenhar, fecharei os olhos sempre!
R.R.
08/02/09
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Pulsante e silencioso, Amor, ele se declara.
Amor, se um dia este sorriso se apagar, não te preocupes, talvez ele jamais tenha estado lá e você nem tenha tido a chance de perceber. hoje vim aqui para lhe contar das dores e amarguras que meu peito sente. ele pouco se importa em admitir suas fraquezas e temores pra você. hoje eu vim aqui pra lhe falar do que este peito calava, e pra sempre sentiu.
sabe amor, por vezes este meu pulsante e silencioso coração bateu pra você, mas ele decidiu que nem se importa mais; que nem te ama mais. se quer mesmo saber Amor, foi ele quem me fez escrever pra você, porque se fosse por mim teria apenas me mantido. se fosse por mim ainda seria como sempre foi: silêncio que grita tanto que nada no mundo se move.
Amor, não se sinta triste em ouvir isso de mim, aliás é meu coração quem lhe fala, e não eu. como já lhe disse ele pediu apenas pra que te informasse que ele passará a não ligar mais pra você, assim como eu faço. ele pediu para te dizer que a decisão de não te amar mais não foi fácil, mas que ele nem mesmo gosta do que é fácil. esse pobre coração já se sentia tão só que me obriguei por várias vezes a acompanhá-lo, para que ao menos assim ele não sofresse sozinho, ou novamente calado. eu o vi entristecer-se tão frequentemente e repentinamente que foi apenas um ato de "auto-salvação".
foi através de uma desesperada e triste conversa que meu coração me convenceu a lhe falar, ou lhe confessar. ele chorava tanto que deu pena. estranho é reconhecer que eu mesma tive pena do meu próprio coração. ele tomou essa decisão enquanto se lembrava de coisas que nem vivemos ainda. é sim, ele se lembrava Amor, ele não imaginava. pode ser que me perguntes como um coração é capaz de lembrar de algo que ainda nem viveu? deixo a resposta por conta dele mesmo: eu lhe amava tanto amor, mas tanto, que fui capaz de viver nosso futuro antes mesmo que ele tenha chegado. eu lhe amava tanto que fui capaz de amar uma pessoa que você nem se tornou ainda. eu lhe amava tanto que amei as rugas que você ainda nem tem, a bengala que você ainda nem precisa, os feios vidros que se apresentarão diante dos teus olhos, devido a vista cansada, e os cabelos brancos que ainda nem lhe nasceram. eu lhe amava tanto que amei aquela sua mania de inventar palavras que ainda nem apareceu, amei ter que olhar a hora certa dos seus remédios, amei perder as noites de sono pra cuidar de você. eu lhe amava tanto que amei costurar os botões das suas camisas, amei ter que usar a imaginação para lhe dar um presente diferente a cada aniversário, amei tricotar em frente a TV enquanto você assistia ao jogo do time que você ainda nem é simpatizante. eu fui capaz de lhe amar tanto que lhe amarei até o fim de uma vida. mas meu coração? esse já não lhe ama mais.
R.R.
05//01//09
sabe amor, por vezes este meu pulsante e silencioso coração bateu pra você, mas ele decidiu que nem se importa mais; que nem te ama mais. se quer mesmo saber Amor, foi ele quem me fez escrever pra você, porque se fosse por mim teria apenas me mantido. se fosse por mim ainda seria como sempre foi: silêncio que grita tanto que nada no mundo se move.
Amor, não se sinta triste em ouvir isso de mim, aliás é meu coração quem lhe fala, e não eu. como já lhe disse ele pediu apenas pra que te informasse que ele passará a não ligar mais pra você, assim como eu faço. ele pediu para te dizer que a decisão de não te amar mais não foi fácil, mas que ele nem mesmo gosta do que é fácil. esse pobre coração já se sentia tão só que me obriguei por várias vezes a acompanhá-lo, para que ao menos assim ele não sofresse sozinho, ou novamente calado. eu o vi entristecer-se tão frequentemente e repentinamente que foi apenas um ato de "auto-salvação".
foi através de uma desesperada e triste conversa que meu coração me convenceu a lhe falar, ou lhe confessar. ele chorava tanto que deu pena. estranho é reconhecer que eu mesma tive pena do meu próprio coração. ele tomou essa decisão enquanto se lembrava de coisas que nem vivemos ainda. é sim, ele se lembrava Amor, ele não imaginava. pode ser que me perguntes como um coração é capaz de lembrar de algo que ainda nem viveu? deixo a resposta por conta dele mesmo: eu lhe amava tanto amor, mas tanto, que fui capaz de viver nosso futuro antes mesmo que ele tenha chegado. eu lhe amava tanto que fui capaz de amar uma pessoa que você nem se tornou ainda. eu lhe amava tanto que amei as rugas que você ainda nem tem, a bengala que você ainda nem precisa, os feios vidros que se apresentarão diante dos teus olhos, devido a vista cansada, e os cabelos brancos que ainda nem lhe nasceram. eu lhe amava tanto que amei aquela sua mania de inventar palavras que ainda nem apareceu, amei ter que olhar a hora certa dos seus remédios, amei perder as noites de sono pra cuidar de você. eu lhe amava tanto que amei costurar os botões das suas camisas, amei ter que usar a imaginação para lhe dar um presente diferente a cada aniversário, amei tricotar em frente a TV enquanto você assistia ao jogo do time que você ainda nem é simpatizante. eu fui capaz de lhe amar tanto que lhe amarei até o fim de uma vida. mas meu coração? esse já não lhe ama mais.
R.R.
05//01//09
"As pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – no que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Eu quase que nada não sei, mas desconfio de muita coisa. Atravesso as coisas – e no meio da travessia não vejo! – só estava era entretido na idéia dos lugares de saída e de chegada. Quero o outro perto, eu distante de mim. Hoje em dia eu nem sei o que sei, e, o que soubesse, deixei de saber o que sabia. A gente só sabe bem aquilo que não entende. Meu coração é que entende, ajuda minha idéia a requerer e traçar."
Guimarães Rosa
Guimarães Rosa
sábado, 3 de janeiro de 2009
auditório.
APLAUSOS. e assim vejo aquela placa luminosa ordenar pra grande platéia da vida. APLAUSOS. o assim vejo a grande multidão seguindo a ordem que vem de não sei quem, e fazendo mesmo assim, só porque o indivíduo da cadeira ao lado fez também. APLAUSOS.
R.R.
04/01/09
R.R.
04/01/09
B(b)ela A(a)dormecida
adormeceu ali, com expressão dura na face. olhos irritados por um choro triste, rosto molhado por algo que não era água e lábios pintados por algo que não era rouge, não era tinta e mais parecia reflexo de dor intensa. tinha um riso contido enquanto sonhava, riso que nem parecia riso de tão contido que parecia. as mãos, fechadas, pareciam segurar forte alguma coisa, mas sei que nada seguravam. sei que aquelas mãos se fechavam apenas porque só tinham a si msm pra se segurar. a respiração, até mesmo quando lenta, era cansada. nem mesmo quando dava seus suspiros mais profundos parecia aliviada. inspirava seus dilemas, e nem quando soltava o ar parecia que conseguia se desfazer dos mesmos. pobre dela, menina moça da pele clara como o dia, de cabelos negros como a noite e de sonhos profundos como um mar turbulento. adormeceu ali de cansaço. adormeceu ali não porque seu físico a levou a exaustão, mas porque sua mente a torturava. menina que pede pra dormir. menina que dormiu porque desaprendeu a sonhar acordada. menina que o mundo desiludiu. menina que dá graças, simplesmente porque apesar de não saber mais sonhar depois que acorda, ainda sabe dormir.
R.R.
03/12/09
R.R.
03/12/09
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