acabamos por nos olhar tantas vezes, você me fazendo inúmeras perguntas e eu sem ter a mínima idéia de como respondê-las. no sussurro da sua dor eu sentia uma angústia e não sabia como te fazer suspirar sorrisos de novo.
você queria entender o pq de duas almas que diziam se amar simplesmente se desencantarem. você queria entender pq seu coração vivia por um sorriso que não sorria sequer por você ou pra você. você queria entender pq o beijo era tão gelado. você queria entender pq a porta da frente antes escancarada agora não lhe deixava sequer uma frestinha para espiar o que se passa lá dentro.
Você chorou e eu não podia nem abraçar tamanha tristeza, porque a resposta do que você me perguntava não era eu. Respostas que me confundiam e me davam certezas que, ao mesmo tempo que eu sabia que você deveria conhecer, te fariam chorar ainda mais. Não pude abraçar suas tristezas; e chorei.
Você enlouqueceu e eu não pude sequer me afastar. Afastar-me significaria ver-te chorar longe, e se eu permitisse isso deixaria que se sentisse só, quando não o estava. E quando você me permitiu chegar perto aconteceu o que eu chamaria de suave encaixe: corações próximos, quentes...e não diria nada mais que isso.
Quando me aqueci chegando a sorrir abobalhadamente, disfarcei. Fiz de conta que não gostaria de sentir saudade de ter saudade. Me comportei como se não quisesse sentir tanto carinho por mais tempo. Disfarcei e tentei esconder o prazer que meu corpo sentia em estar ali. Disfarcei e fiz de conta que a minha alma não se sentia plena te tendo ali. Escondi sensações e desejos, e ainda os faço, graças a não ser suas respostas.
A pele ficou mais flácida, algumas rugas apareceram e, como quem tropeça distraidamente em uma pedra quando caminha, consegui responder a todas as suas perguntas. O desencantar de almas se deu pq aquela que não era a sua conheceu outra alma mais apaixonante. Seu coração vivia por alguém que não sorria mais por você - aquele riso já pertencia a outro coração. O beijo era frio porque outros lábios tinham roubado o calor do seu sabor. A porta se fechou pra você e se escancarou pra outros olhos. A resposta era simples: você me perguntava sempre sobre alguém que já lhe tinha como sendo um nada, e assim não se importava com suas perguntas e menos ainda em respondê-las.
Um dia espero que se lembre que tentei não morrer pra você, tornando-me um nada, como um dia você tornou-se pra alguém. Tentei abraçar suas tristezas, não me distanciar das suas loucuras e assim encaixar-me nas suas bobas delicadas e diferentes maneiras de ser. Um dia eu espero que aquele encaixe que eu tive suavemente se transforme num encaixe perfeito. Um dia eu espero que você se lembre de você. Ou de quem você foi quando sorria de verdade.
R.R.
04/07/09
sábado, 4 de julho de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Singularidade
Seis. Seis bilhões. Eis o número estimado de pessoas que vivem nesse mundo.
São seis bilhões de rostos diferentes, seis bilhões de sorrisos. Seis bilhões de desejos, vontades, aspirações. Seis bilhões de corações pulsando, respirações ofegantes, calmas, sinceras, levianas. Seis bilhões de vidas solitárias, em família, amadas, desprezadas, ingnoradas. São seis bilhões de almas.
São seis bilhões de seres humanos no mundo e eu não conheço nem 1% disso tudo. Como eu posso ser capaz de escolher uma pessoa só, em meio a esse mar de gente, pra me fazer feliz "pro resto do meu hoje"? Bilhões de trejeitos distintos, de gênios únicos e de almas interessantes a solta por todos os lados, e ter que escolher um só gosto pra amar? Envolver-se com esse e não com aquele significaria uma vida segura, com uma família linda e um ótimo emprego, numa casa branca de jardim florido. Ou quem sabe eu não vá gostar de um pouco de insegurança, saudade da família e um emprego que paga mal, mas que é a verdadeira paixão da minha vida? Onde será que o amor escolheria pra se esconder tendo seis bilhões de opções completamente diferentes?
Cada uma dessas almas deve ter a sua história, e sendo bastante realista, nós dois morreremos sem conhecer sequer a metade dessas histórias. São médicos, psicólogos, dentistas, advogados, oceanógrafos, porteiros e ainda restam aqueles profissionais adeptos do que meu amigo google chama de 'profissões estranhas'. Morreremos sem talvez ter a chance de conhecer um "expert em cheiro de carro novo", uma "carpideira" ou um "treinador de pombo-correio"!
Pensando sempre nas outras 5.999.999.999 é que a gente acaba se esquecendo de prestar atenção na única pessoa em meio a esses bilhões que realmente guarda os segredos dos quais a gente precisa saber. Você esbarra com aquele homem de uns 10 anos a mais que você no balcão da padaria, que sorri de um maneira única pra você, e acaba nem se dando conta e que talvez fosse só aquele sorriso o capaz de te contar os segredos que você precisa saber. Descendo pelo elevador do prédio entra aquele bonitão que sempre passeou pelos seus sonhos. Durante a descida entra aquele seu feinho 'amigo' de infância que sempre foi apaixonado por você, mas de tanto prestar atenção no bonitão você nem se da conta de que ele está ali...afinal, ele SEMPRE está ali, não é mesmo?
Dentre esses bilhões você vai conhecer(se é que já não conheceu) aquela pessoa que vai responder as suas perguntas antes mesmo de você fazê-las. Você vai encontrar aquele que te beija da maneira que você gosta, mas que tem a mania que mais te irrita. Você vai dar de cara com aquele que tem o coração mais lindo do mundo, mas o rosto nem tanto. Você vai achar a pessoa que ri das suas trapalhadas, que se atrapalha com você, que sabe como conseguir tudo de você, que sabe como negar as coisas a você e que sabe quando dizer sim. Você vai encontrar aquele que só de estar perto da vontade de dar beijo, tapa, abraço, aperto de mão, cafuné, mordida, carinho...tudo isso de uma vez só! Vai achar o dono das borboletas no seu estômago, o dono do seu sorriso, o dono do carinho mais gostoso. Vai conhecer aquele que se encaixa direitinho nos seus braços. Nesse mar de gente você vai encontrar aquele que sabe todos os seus detalhes, manias e suspiros. Você vai acabar enxergando que todos esses são um só. E é ai que você ser capaz de encontrar a sua própria alma no meio de tantos bilhões.
No final das contas você vai perceber que o coração que o amor escolheu pra se esconder era o seu, que a alma que você tanto procurava entre a 'população mundial' apareceu quando você deixou de procurar...ou que as vezes ela era o amigo feinho do elevador e você insistia tanto nos bonitões.
08/06/09
São seis bilhões de rostos diferentes, seis bilhões de sorrisos. Seis bilhões de desejos, vontades, aspirações. Seis bilhões de corações pulsando, respirações ofegantes, calmas, sinceras, levianas. Seis bilhões de vidas solitárias, em família, amadas, desprezadas, ingnoradas. São seis bilhões de almas.
São seis bilhões de seres humanos no mundo e eu não conheço nem 1% disso tudo. Como eu posso ser capaz de escolher uma pessoa só, em meio a esse mar de gente, pra me fazer feliz "pro resto do meu hoje"? Bilhões de trejeitos distintos, de gênios únicos e de almas interessantes a solta por todos os lados, e ter que escolher um só gosto pra amar? Envolver-se com esse e não com aquele significaria uma vida segura, com uma família linda e um ótimo emprego, numa casa branca de jardim florido. Ou quem sabe eu não vá gostar de um pouco de insegurança, saudade da família e um emprego que paga mal, mas que é a verdadeira paixão da minha vida? Onde será que o amor escolheria pra se esconder tendo seis bilhões de opções completamente diferentes?
Cada uma dessas almas deve ter a sua história, e sendo bastante realista, nós dois morreremos sem conhecer sequer a metade dessas histórias. São médicos, psicólogos, dentistas, advogados, oceanógrafos, porteiros e ainda restam aqueles profissionais adeptos do que meu amigo google chama de 'profissões estranhas'. Morreremos sem talvez ter a chance de conhecer um "expert em cheiro de carro novo", uma "carpideira" ou um "treinador de pombo-correio"!
Pensando sempre nas outras 5.999.999.999 é que a gente acaba se esquecendo de prestar atenção na única pessoa em meio a esses bilhões que realmente guarda os segredos dos quais a gente precisa saber. Você esbarra com aquele homem de uns 10 anos a mais que você no balcão da padaria, que sorri de um maneira única pra você, e acaba nem se dando conta e que talvez fosse só aquele sorriso o capaz de te contar os segredos que você precisa saber. Descendo pelo elevador do prédio entra aquele bonitão que sempre passeou pelos seus sonhos. Durante a descida entra aquele seu feinho 'amigo' de infância que sempre foi apaixonado por você, mas de tanto prestar atenção no bonitão você nem se da conta de que ele está ali...afinal, ele SEMPRE está ali, não é mesmo?
Dentre esses bilhões você vai conhecer(se é que já não conheceu) aquela pessoa que vai responder as suas perguntas antes mesmo de você fazê-las. Você vai encontrar aquele que te beija da maneira que você gosta, mas que tem a mania que mais te irrita. Você vai dar de cara com aquele que tem o coração mais lindo do mundo, mas o rosto nem tanto. Você vai achar a pessoa que ri das suas trapalhadas, que se atrapalha com você, que sabe como conseguir tudo de você, que sabe como negar as coisas a você e que sabe quando dizer sim. Você vai encontrar aquele que só de estar perto da vontade de dar beijo, tapa, abraço, aperto de mão, cafuné, mordida, carinho...tudo isso de uma vez só! Vai achar o dono das borboletas no seu estômago, o dono do seu sorriso, o dono do carinho mais gostoso. Vai conhecer aquele que se encaixa direitinho nos seus braços. Nesse mar de gente você vai encontrar aquele que sabe todos os seus detalhes, manias e suspiros. Você vai acabar enxergando que todos esses são um só. E é ai que você ser capaz de encontrar a sua própria alma no meio de tantos bilhões.
No final das contas você vai perceber que o coração que o amor escolheu pra se esconder era o seu, que a alma que você tanto procurava entre a 'população mundial' apareceu quando você deixou de procurar...ou que as vezes ela era o amigo feinho do elevador e você insistia tanto nos bonitões.
08/06/09
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Vida rasgada
Eu estava simplesmente observando a tarde passar quando olhei pelo reflexo da vidraça e vi uma caixa velha, empoeirada, em que eu guardava minhas memórias. Abri e ali encontrei rascunhos amarelados de histórias que nem eu msm sei o ponto de partida e nem se chegaram a algum lugar.
Ali eu encontrei memórias mortas que acabaram renascendo e me fazendo sentir a mesma emoção que se passou quando tudo aquilo aconteceu. Quando virei aquela caixa de cabeça para baixo encontrei bem lá no fundo, no papel mais velho e talvez por isso mais rasgado, uma lembrança encantadoramente machucada. Abri-a e ela começou a discorrer pra mim sobre tudo aquilo que eu vivi, senti, chorei, cuidei, salvei, ajudei...amei. Ela contou pra mim sobre a carta que acabou-se em lágrimas.
Tudo começava falando sobre uma promessa que a mulher havia feito pra si quando ele a fez chorar muito. Uma promessa que ela confessava ter quebrado por não saber se esconder daquele que sabe ver a alma.Da sua jura ela saltou para a saudade. Manifestou a saudade que sentira de sua música preferida, enquanto ela esteve silenciada, manifestou a saudade sentida da presença, da segurança, do cuidado. Manifestou saudade de quando as lágrimas eram enxugadas por ele ao invés de causadas, da brisa ocasionada pela respiração, do abraço, do perfume, do ponto fraco. A menina manifestou saudade apenas daquilo que sentira. Manifestou saudade da saudade.Falou sobre o burburinho que a incomodava sempre: uma felicidade de meia tigela que não floreia a essência de ninguém e pinta a pele de tons de cinza. Um alegriazinha simplória que de vez em quando fazia sorrir e de vez em quando parecia que o mundo ia mesmo era cair. Questionou os motivos de gostar de tão pouco e como ele sabia não ser completo. Confessou mesmo ser daquele que ama, mas que deixaria de sê-lo, não por escolha, mas por precisar respirar e deixar de se sufocar.A mulher se emocionou ao professar novamente a ele as três palavras que tanto lhe faziam tremer as pernas, mas sentiu-se aliviada quando pode incriminar-se. Ela chegou a ter a sensação de que estava sendo beijada, mas sabia que isso seria apenas um gesto representando tudo aquilo que acabava de confidenciar. Chegou a ter a sensação de que estava sendo abraçada, mas pena que sabia que esse efeito era causado apenas pelo medo de nunca mais provar daquele afeto.A emoção a encontrou mais uma vez quando ela disse-lhe que estava apenas se despedindo, porque sabia que aquela carta não começava com 'era uma vez' e nem terminaria como esse tipo de histórias. Disse-lhe que chorava porque sabia que talvez fosse sua última chance de dizer-lhe qualquer coisa e não tinha coragem para terminar de fazê-lo.Terminou com um calafrio e um pedido de perdão...mas não pelo mal que já havia se passado, mas pelo bem que não mais viria.
Depois de ver tamanha consternação naquele papel velho, chorei. Chorei por não ser capaz de dar a ela flores, por não ser capaz de clarear aquele papel, e ainda por ele estar em destroços e não saber como remendá-lo. Mas chorei principalmente porque mesmo sabendo que era papel velho, inutilisável, remendado, dilacerado, tinha uma história linda que merecia ser respeitada. E mesmo assim eu sabia que aquela carta nunca teve e nunca terá resposta.
R.R.
07/05/09
Ali eu encontrei memórias mortas que acabaram renascendo e me fazendo sentir a mesma emoção que se passou quando tudo aquilo aconteceu. Quando virei aquela caixa de cabeça para baixo encontrei bem lá no fundo, no papel mais velho e talvez por isso mais rasgado, uma lembrança encantadoramente machucada. Abri-a e ela começou a discorrer pra mim sobre tudo aquilo que eu vivi, senti, chorei, cuidei, salvei, ajudei...amei. Ela contou pra mim sobre a carta que acabou-se em lágrimas.
Tudo começava falando sobre uma promessa que a mulher havia feito pra si quando ele a fez chorar muito. Uma promessa que ela confessava ter quebrado por não saber se esconder daquele que sabe ver a alma.Da sua jura ela saltou para a saudade. Manifestou a saudade que sentira de sua música preferida, enquanto ela esteve silenciada, manifestou a saudade sentida da presença, da segurança, do cuidado. Manifestou saudade de quando as lágrimas eram enxugadas por ele ao invés de causadas, da brisa ocasionada pela respiração, do abraço, do perfume, do ponto fraco. A menina manifestou saudade apenas daquilo que sentira. Manifestou saudade da saudade.Falou sobre o burburinho que a incomodava sempre: uma felicidade de meia tigela que não floreia a essência de ninguém e pinta a pele de tons de cinza. Um alegriazinha simplória que de vez em quando fazia sorrir e de vez em quando parecia que o mundo ia mesmo era cair. Questionou os motivos de gostar de tão pouco e como ele sabia não ser completo. Confessou mesmo ser daquele que ama, mas que deixaria de sê-lo, não por escolha, mas por precisar respirar e deixar de se sufocar.A mulher se emocionou ao professar novamente a ele as três palavras que tanto lhe faziam tremer as pernas, mas sentiu-se aliviada quando pode incriminar-se. Ela chegou a ter a sensação de que estava sendo beijada, mas sabia que isso seria apenas um gesto representando tudo aquilo que acabava de confidenciar. Chegou a ter a sensação de que estava sendo abraçada, mas pena que sabia que esse efeito era causado apenas pelo medo de nunca mais provar daquele afeto.A emoção a encontrou mais uma vez quando ela disse-lhe que estava apenas se despedindo, porque sabia que aquela carta não começava com 'era uma vez' e nem terminaria como esse tipo de histórias. Disse-lhe que chorava porque sabia que talvez fosse sua última chance de dizer-lhe qualquer coisa e não tinha coragem para terminar de fazê-lo.Terminou com um calafrio e um pedido de perdão...mas não pelo mal que já havia se passado, mas pelo bem que não mais viria.
Depois de ver tamanha consternação naquele papel velho, chorei. Chorei por não ser capaz de dar a ela flores, por não ser capaz de clarear aquele papel, e ainda por ele estar em destroços e não saber como remendá-lo. Mas chorei principalmente porque mesmo sabendo que era papel velho, inutilisável, remendado, dilacerado, tinha uma história linda que merecia ser respeitada. E mesmo assim eu sabia que aquela carta nunca teve e nunca terá resposta.
R.R.
07/05/09
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Amar é fácil...
ela estava com seus fios encaracolados, cintilantes e dourados encantadoramente soltos. estava acompanhada daquele seu vestido de boneca com algumas flores, num misto de tons que combinavam com aquele profundo verde de seus olhos e com o azul cristalino dos olhos dele.
sentados estavam e ele esperava que ela se despedisse com aquele doce tocar de lábio em pele, como sempre fizera, mas desta vez seria diferente. a moça com sorriso doce pela primeira vez o olhava verdadeiramente. pela primeira vez parecia que ela o deixaria mergulhar no que lhe era mais profundo. pela primeira vez ela o enxergaria como quem por ela sente.
ele antes já havia tentado encontrar a pureza da alma daquela doce, mas ela era relutante e parecia até mesmo amedrontada. ele sabia que o nome daquilo que o movia era paixão, por ela, e disse-lhe isso...mas nem mesmo a pequena conseguia entender porque tantas vezes olhava e não o via.
como havia prometido ele apenas a deixou em casa e para apenas poder desfrutar de sua companhia não mais tocaria no assunto 'eles'. para sua estranheza dessa vez quem começaria o assunto seria ela e quem lhe deixaria com a face corada ainda seria ela. ela disse coisas que lhe calaram a boca e despertaram o coração. como que por um milagre ela decidiu que retribuiria seu apreço...e deu-lhe um beijo. deu-lhe um beijo e quando terminou lhe sorriu da maneira mais meiga que ele poderia esperar. quando terminou ele sentiu que a alma lhe havia sido beijada. abraçou aqueles melosos lábios novamente e lhe sorriu de volta. desta vez além de um doce sorriso conseguiu dela um olhar. hipnotizaram-se, decidiram-se: eternizariam-se.
R.R.
29/04/09
sentados estavam e ele esperava que ela se despedisse com aquele doce tocar de lábio em pele, como sempre fizera, mas desta vez seria diferente. a moça com sorriso doce pela primeira vez o olhava verdadeiramente. pela primeira vez parecia que ela o deixaria mergulhar no que lhe era mais profundo. pela primeira vez ela o enxergaria como quem por ela sente.
ele antes já havia tentado encontrar a pureza da alma daquela doce, mas ela era relutante e parecia até mesmo amedrontada. ele sabia que o nome daquilo que o movia era paixão, por ela, e disse-lhe isso...mas nem mesmo a pequena conseguia entender porque tantas vezes olhava e não o via.
como havia prometido ele apenas a deixou em casa e para apenas poder desfrutar de sua companhia não mais tocaria no assunto 'eles'. para sua estranheza dessa vez quem começaria o assunto seria ela e quem lhe deixaria com a face corada ainda seria ela. ela disse coisas que lhe calaram a boca e despertaram o coração. como que por um milagre ela decidiu que retribuiria seu apreço...e deu-lhe um beijo. deu-lhe um beijo e quando terminou lhe sorriu da maneira mais meiga que ele poderia esperar. quando terminou ele sentiu que a alma lhe havia sido beijada. abraçou aqueles melosos lábios novamente e lhe sorriu de volta. desta vez além de um doce sorriso conseguiu dela um olhar. hipnotizaram-se, decidiram-se: eternizariam-se.
R.R.
29/04/09
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Talvez mais uma, talvez a última.
não queria ser eu a dizer isto, mas ao mesmo tempo não desejo que outras bocas pronunciem o que diz respeito só a mim. não quero que sejam outras bocas a lhe dizer o que inflama esse peito, não quero que sejam outras bocas a lhe dizer que olhos choram, não quero que sejam outras bocas a lhe comunicar: desisti.
desisti de achar que amanhã vai ser um dia mais bonito, que alguma coisa individual pode mudar ai, e que o sorriso pode passar a ter gosto de amanhecer. desisti de tentar encontrar na alma uma essência que nem tem mais cheiro de cristal; ou as vezes o aroma ainda exista, mas está em tantos pedaços quanto esse cristal.......ou quanto a alma. desisti de balançar as mãos acompanhadas, sem medo de que as paredes ouçam até o som que a brisa do balanço deste nosso nó faz. desisti de tenta fazer sorrir olhos que só querem chorar. desisti de tentar fazer enxergar um cego. desisti de levantar alguém que nem se conhece. desisti de acordar e esperar um bom dia, de sair e querer escutar um 'não vai' e de voltar e continuar tudo com estava. desisti de me conformar com tudo como estava. desisti de me conformar. desistir de persistir. desisti de dizer que não desistiria. desisti de buscar o caminho difícil. desisti de achar que era errado desistir, até pq já vi desistirem tantas vezes, o que me custa desistir um pouco?
desisti de encarar os fatos como incertos, de encontrar neles uma dúvida, de ter esperança. desisti de ver o que queria ver e passei a ver apenas o que é. desisti de fazer de conta. desisti de tentar não falhar, de ser humana, de corrigir erros e até de acertar. desisti de tentar juntar pedaços da foto rasgada, afinal ela já foi rasgada. desisti da inocência. desisti da mudança. desisti da covardia. desisti do desespero, das falhas, da perfeição. eu apenas, desisti.
que alguns chamem minha desistência de covardia.
que alguns chamem minha desistência de fraqueza.
que alguns chamem minha desistência de desabafo.
que outros a chamem de mais uma.
desisti também de alguns...
e de outros.
R.R.
18/04/09
desisti de achar que amanhã vai ser um dia mais bonito, que alguma coisa individual pode mudar ai, e que o sorriso pode passar a ter gosto de amanhecer. desisti de tentar encontrar na alma uma essência que nem tem mais cheiro de cristal; ou as vezes o aroma ainda exista, mas está em tantos pedaços quanto esse cristal.......ou quanto a alma. desisti de balançar as mãos acompanhadas, sem medo de que as paredes ouçam até o som que a brisa do balanço deste nosso nó faz. desisti de tenta fazer sorrir olhos que só querem chorar. desisti de tentar fazer enxergar um cego. desisti de levantar alguém que nem se conhece. desisti de acordar e esperar um bom dia, de sair e querer escutar um 'não vai' e de voltar e continuar tudo com estava. desisti de me conformar com tudo como estava. desisti de me conformar. desistir de persistir. desisti de dizer que não desistiria. desisti de buscar o caminho difícil. desisti de achar que era errado desistir, até pq já vi desistirem tantas vezes, o que me custa desistir um pouco?
desisti de encarar os fatos como incertos, de encontrar neles uma dúvida, de ter esperança. desisti de ver o que queria ver e passei a ver apenas o que é. desisti de fazer de conta. desisti de tentar não falhar, de ser humana, de corrigir erros e até de acertar. desisti de tentar juntar pedaços da foto rasgada, afinal ela já foi rasgada. desisti da inocência. desisti da mudança. desisti da covardia. desisti do desespero, das falhas, da perfeição. eu apenas, desisti.
desisti de esperar um abraço. desisti de querer. desisti de sentir saudade. desisti de sentir.
que alguns chamem minha desistência de covardia.
que alguns chamem minha desistência de fraqueza.
que alguns chamem minha desistência de desabafo.
que outros a chamem de mais uma.
desisti também de alguns...
e de outros.
R.R.
18/04/09
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