quarta-feira, 9 de setembro de 2009

(Des)espero

ainda tenho a esperança de estar errada. ainda sinto vontade de que meu saber esteja errado e que a mágica se faça de novo. esperança tola, burra, errada, desgraçada. esperança faminta. esperar. detesto esse verbo. ficar a mercê de algo que é quase, algo que é completamente improvável.

quando sinto os sabores diversos que o vento traz, não sinto vontade de provar do gosto da espera. espera é quase bom e é quase ruim. desde quando algo que é quase tem gosto de alguma coisa? pode até ser que certas coisas tenham seu gosto: ciúme é picante, amor é doce, desilusão é amarga, mas cada um deles tem seu mistério bom. espera só tem gosto desgostoso, e quanto maior ela fica, menos saborosa se torna. ansiedade é bom. ansiedade é tempero na medida certa. espera é maldade. esperança. espera.

sentar e admirar o sol se por é bom. esperar para que ele se ponha é chato. que ninguém tenha que esperar o sol se por ao lado de outro alguém; mas que todos um dia admirem acompanhados o perfume que a Lua traz consigo quando nasce.

será que a espera é tão vazia como eu acho que é? será que ela é desatino? será que minha sede de matá-la vem do, sempre presente, ódio pela perda de tempo? será que só eu que a desgosto tanto? espera - não tem nada para deixar a quem lhe é alheio, não ocasiona nada, não revela nada, não traduz nada e nem ama a ninguém. e ainda assim esperam.

apesar de brincar tanto de me esconder dela, esperei. esperei incontáveis vezes pelas coisas mais variadas. esperei o máximo que se pode esperar do tempo, dos outros e até de mim. esperei do tempo algum acontecimento meteórico que fosse mudar o curso da vida. esperei dos outros, ou de seus corações, sensações e ações (in)discretas que me fizessem sentir vontade de viver. esperei de mim mudanças astronômicas. esperei o máximo que se pode esperar. O que eu ganhei? menos tempo, menos 'outros' e um pouco menos de mim.

a única esperança que eu quero ter agora é de que essa espera um dia vá morrer!
(se é que eu não acabo de cometer um crime)

R.R. 09/09/2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Transparência

sinceramente eu não vim aqui pra escrever qualquer coisa sobre qualquer outra coisa. vim tentar desabafar essa minha esteria - já que olhando em olhos, que não são mais os teus, eu não consigo. sinceramente estrela do meu céu, eu não vim aqui pra gritar pra você a falta que você me faz, eu não vim aqui pra te dizer que a saudade está cada vez mais insuportável. sinceramente eu não vim aqui implorar mais. eu vim me colocar a disposição pra sentir por você. sinceramente anjo meu, vim apenas me confessar.

sinceramente eu não vim aqui para contrariar as falsas idéias, de pessoas mais falhas que seus próprios pensamentos. sinceramente não vim aqui para tentar encontrar explicações e menos ainda para dá-las. sinceramente eu vim aqui para lhe contar sobre esse arrepio que faz com que eu sinta a minha própria dor exalando pelos poros. eu vim para lhe contar que quando fecho os olhos tudo que eu mais desejo é poder me afogar nas tuas janelas, que eu sinto aqui, tão perto, mas que se desfazem tão depressa quanto o meu abrir de olhos.

sinceramente eu não vim aqui para dizer que o caminhar destas pernas parece meio exausto, medroso, angustiado. eu não vim aqui pra dizer que tudo parece fora do lugar, que o dia está sempre mais longo e que cada segundo de espera pra que esse tempo passe mais rápido significa uma lágrima a mais. sinceramente vim aqui para encontrar você.

sinceramente eu não vim aqui para secar esse rosto, para tentar sanar esse aperto que faz de mim tão menor. sinceramente eu não vim aqui para lembrar-me que perdi, e que contra isso eu não tenho como lutar. sinceramente eu vim aqui para abraçar você.

sejamos sinceros, confessei-me apenas porque ao abrir meus olhos não te encontro mais, e isso significa sempre um dia a mais sem o seu abraço. Sinceramente? se é pra ser assim prefiro que os dias não passem...

R.R.
08/09/09

terça-feira, 25 de agosto de 2009

"Só falta você"

chega de palavras robustas e de um fingimento emocional inflamado. tudo que eu queria era um pouco mais daquele seu simples olhar de sinceridade, que me arrancaram dos braços e eu não tive nem a chance de impedir. chega de tanta vontade; pelo amor de Deus...chega!

hoje peguei o telefone pra te ligar. peguei mesmo, eu ia ligar e te pedir pra vir matar a minha saudade. chega a ser meio vergonhoso confessar isso, pode até soar como loucura, mas tudo não passa de saudade. e que eu seja considerada louca então, mas não pode haver nesse mundo insanidade maior do que a de não poder te abraçar de novo.

não há um dia sequer que eu deite a cabeça naquele travesseiro e não sinta enlouquecidamente a sua falta. uma falta de escutar aquela sua risada gostosa que me fazia rir; aquele seu jeito besta de me dizer que eu não sabia experimentar as coisas boas da vida; aquele seu jeitinho de fazer carinho quando alguma coisa aqui dentro me incomodava. não há um dia sequer que eu não sinta uma angústia profunda por não poder pedir seus conselhos, ou te dar aquele abraço e urso que só você tem. não há um dia sequer que eu deixe de lembrar alguma coisa que você falava sempre, ou um trejeito, ou simplesmente veja alguma coisa acontecer e imagine o que você faria ou diria.

eu não quero ter paciência e nem quero esperar o tempo passar, porque eu sei que isso que me aperta aqui dentro só vai passar quando eu puder te ter do meu lado de novo; e eu sei que isso não vai mais acontecer. eu não quero pensar que você deixou de brilhar aqui do meu lado pra iluminar ainda mais esse céu; lá já tem tanta estrela, pra que mais uma? volta? fica um poco mais comigo?...

quando eu sentia que não ia conseguir mais você sempre aparecia com aquele jeito de quem não quer nada e fazia eu me sentir protegida. quando eu achava que seria só mais um dia sem graça você apenas sorria pra mim e fazia ser só mais um dia especial. quando eu dizia não você não descansava até conseguir um sim. quando tudo era inverno, você me fazia sentir como se fosse a mais linda das primaveras.

hoje faz frio. o céu chora ali fora e dentro desse coração também. essa ausência causa uma solidão sem solução, uma necessidade de você que eu nem conhecia, e nem sabia que tinha. meu peito chora; não chora mais de saudade, mas sim porque não consegue matá-la. eu posso fazer o que for, correr pra onde for, implorar pelo que for, mudar o que quiserem que eu mude, mas eu sei que por mais que eu olhe por essa janela não te verei mais. aqui dentro fica tudo tão vazio. eu olho por ela e não posso te ver e nem te ouvir mais colocando uma música me convidando pra dançar...ter isso só como lembrança dá um gosto tão amargo a elas.

pra sempre os dias serão de inverno. esses pés nunca mais valsarão no compasso dos seus passos. e esse sorriso nunca mais terá o mesmo brilho, porque parte dele era você e agora você reluz onde eu não posso mais te alcançar.

R.R.
25/08/09

segunda-feira, 27 de julho de 2009

licença ao Sr. Santos

...mas faço minhas as suas palavras:"tanta farpa, TANTA mentira, tanta FALTA DO QUE DIZER, nem sempre é so easy se viver!"

eu não queria nada "easy"; mas verdades tornariam a tarefa de viver um pouco menos difícil de aguentar! ;D

sábado, 4 de julho de 2009

"NADA"

acabamos por nos olhar tantas vezes, você me fazendo inúmeras perguntas e eu sem ter a mínima idéia de como respondê-las. no sussurro da sua dor eu sentia uma angústia e não sabia como te fazer suspirar sorrisos de novo.

você queria entender o pq de duas almas que diziam se amar simplesmente se desencantarem. você queria entender pq seu coração vivia por um sorriso que não sorria sequer por você ou pra você. você queria entender pq o beijo era tão gelado. você queria entender pq a porta da frente antes escancarada agora não lhe deixava sequer uma frestinha para espiar o que se passa lá dentro.

Você chorou e eu não podia nem abraçar tamanha tristeza, porque a resposta do que você me perguntava não era eu. Respostas que me confundiam e me davam certezas que, ao mesmo tempo que eu sabia que você deveria conhecer, te fariam chorar ainda mais. Não pude abraçar suas tristezas; e chorei.

Você enlouqueceu e eu não pude sequer me afastar. Afastar-me significaria ver-te chorar longe, e se eu permitisse isso deixaria que se sentisse só, quando não o estava. E quando você me permitiu chegar perto aconteceu o que eu chamaria de suave encaixe: corações próximos, quentes...e não diria nada mais que isso.

Quando me aqueci chegando a sorrir abobalhadamente, disfarcei. Fiz de conta que não gostaria de sentir saudade de ter saudade. Me comportei como se não quisesse sentir tanto carinho por mais tempo. Disfarcei e tentei esconder o prazer que meu corpo sentia em estar ali. Disfarcei e fiz de conta que a minha alma não se sentia plena te tendo ali. Escondi sensações e desejos, e ainda os faço, graças a não ser suas respostas.

A pele ficou mais flácida, algumas rugas apareceram e, como quem tropeça distraidamente em uma pedra quando caminha, consegui responder a todas as suas perguntas. O desencantar de almas se deu pq aquela que não era a sua conheceu outra alma mais apaixonante. Seu coração vivia por alguém que não sorria mais por você - aquele riso já pertencia a outro coração. O beijo era frio porque outros lábios tinham roubado o calor do seu sabor. A porta se fechou pra você e se escancarou pra outros olhos. A resposta era simples: você me perguntava sempre sobre alguém que já lhe tinha como sendo um nada, e assim não se importava com suas perguntas e menos ainda em respondê-las.

Um dia espero que se lembre que tentei não morrer pra você, tornando-me um nada, como um dia você tornou-se pra alguém. Tentei abraçar suas tristezas, não me distanciar das suas loucuras e assim encaixar-me nas suas bobas delicadas e diferentes maneiras de ser. Um dia eu espero que aquele encaixe que eu tive suavemente se transforme num encaixe perfeito. Um dia eu espero que você se lembre de você. Ou de quem você foi quando sorria de verdade.

R.R.
04/07/09