quinta-feira, 24 de junho de 2010

Alivio

Escrita sempre longa, assuntos pouco variados.
Ouvi reiteradas vezes nos ultimos tempos que mudei.
Antes achei um pesar, porque, sinceramente, gostava de mim.
Hoje, pensando bem e observando a vida, como sempre gostei muito de fazer, decidi que "mudar" foi bom. Que É bom! Até porque, quando a gente não muda por si só, a vida acaba fazendo isso independente da nossa vontade.
Curioso é que ela já tomou essa decisão tantas vezes por mim que já tinha me esquecido o quanto esse sabor é delicioso.

Palavras poucas.
Vida muita!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Metade feliz?

"Eu descobri que ser inteira não me dá medo, porque ser inteira já é ser muito corajosa."

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Difícil?

por fim a gente acaba criando a falsa idéia de que é fiel. Ei, quem você pensa que é? Você não é fiel nem as próprias idéias, como cobrar de alguém fidelidade? Como querer que alguém te queira? como querer um querer que nem seu é, mas que você tomou posse?bobagem...

ser fiel é difícil.
imagine, viver a vida toda observando sempre o mesmo sorriso. Desde quando ele era jovem até quando cria aquelas rugas feinhas ao redor dos lábios.
imagine sempre desfrutar daqueles mesmos olhos, olhares, cores. Quando finalmente vocês dois estiverem velhos observando a vida de algum lugar, juntos ou não, ao fechar os seus conseguirá desenhar até as imperfeições que aquela íris tinha.
imagine, passear pelo supermercado e pela loirona gostosa que piscou pra você, ou simplesmente passar pela sessão de limpeza e lembrar-se de comprar o desinfetante que sua esposa te pediu aos berros 229 insuportáveis vezes.
imagine suas amigas te ligando 'N' vezes, justamente no dia do aniversário de vocês dois, te chamando pra ir p/ aquela micareta que você aaaaaaama, mas que ele detesta(e se ele fosse com você só atrapalharia - ele sabe que lá haverá mil caras mais bonitões e mais gostosos que ele e com muito mais a oferecer).
imagine conhecer todos os defeitos de alguém. os mínimos e mais nojentos defeitos de alguém. imagine ele e sua mãe discutindo sobre a educação dos seus filhos, que afinal nasceram de VOCÊ e dos quais ninguém sabe mais do que a própria!!
imagine QUANTA paciência requer a fidelidade.

vejo problema nas pessoas não verem problema na dor mais dolorida que eu já conheci. E de forma alguma que você pare de desejar loucamente o bonitão da novela ou que ele deixe de achar a peladona do mês gostosa(ele não seria homem se isso acontecesse). não trato desse tipo de fidelidade, até porque nem eu sou de ferro.

Falemos de fidelidade de espírito.

Não entenda meu pensamentos sobre fidelidade como alguém que quer que as pessoas tenham sempre as mesmas idéias, ou que venham a agir sempre da mesma maneira. Isso é burrice. Diferentes pessoas ensejam diferentes reações, distrações e sentimentos.
Nada impede que você mude de idéia. Mas alguém impede que suas idéias controvérsias machuquem alguém.
Nada impede que você hoje ame alguém e que amanhã isso mude. Mas alguém impede que você desrespeite o outro em benefício próprio.
Nada impede que você não queira mais beijá-la. Mas alguém impede que você beije outros lábios antes de se desfazer daqueles.
Nada te impede de querer a loirona do supermercado. Mas alguém te diz que tê-la significa não ter mais o que antes era seu.
Nada te impede de tentar. Mas se você toma essa decisão alguém te impede de desistir.
Nada impede que você caia em tentação. Mas alguém te mostra que não cair é melhor.
Nada impede que você sinta vontade de outros beijos, outros abraços ou de outros trejeitos. Mas alguém te impede de enganar alguém apenas para tê-los.
Nada impede que você de declare pra quantas mulheres você quiser. Mas alguém te impede de fazer isso pra quem realmente importa.

O problema é que esse 'alguém que impede' NUNCA é quem deveria ser...você mesmo.
E se você for pensar ser fiel nem é tão difícil assim.
Difícil é achar quem ame de verdade.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Fazer tudo por alguém, vale a pena?

Me questionei muito. Duvidei das minhas certezas como nunca pensei que faria. Justo eu, tão cheia de mim e sempre tão segura. Ou apenas tentei ser boa atriz. Dúvidas que só levavam a mais dúvidas e uma confusão que não me trouxe/traz/trará conclusão alguma. Aliás só eu sei o quanto dúvidas podem ser capazes de me irritar.

Será que todo aquele enlace do qual participamos tantas vezes era pelo prazer que o encontro de dois corpos proporciona, ou era a simples e pura vontade de poder respirar mais próximos? Afinal, quando é que você sabe se gosta de alguém ou se gosta do beijo, do cheiro ou das sensações que o outro te causa? Era tudo baseado no que se sentiu um dia ou o sentimento de hoje é menos, mais, um pouco menos ou um pouco mais intenso que o de ontem? O amor, é amor? É vício? Deixou de ser vício quando, que eu nem me dei conta? E essa saudade, essa vontade, esse medo sem fim de não conseguir alcançar mais você?...pra quê? pq? Remover uma montanha pra conseguir apenas segurar a mão e dizer palavras inúteis em momentos difíceis? Pra que?


Pois fique você sabendo que eu não gosto de te beijar pelo simples fato de te beijar, mas porque é a única forma que eu consigo sentir você sendo completamente meu. É minha forma de te mostrar que o tempo pode realmente parar. Eu não gosto de recostar a cabeça no seu peito simplesmente porque sei que você gosta de me acolher. Faço porque é quando eu e seu coração conversamos mais diretamente. É quando eu me sinto capaz de fazê-lo acelerar se toco seus lábios, ou fazê-lo se acalmar simplesmente ao recostar meus dedos sobre a sua nuca. Não te faço carinho por saber onde ou como você gosta, minhas mãos te encontram por ser a minha maneira de tentar te fazer descansar(já que você não se permite). Não seco seu choro, nem tento te trazer um pouco de paz(as vezes inutilmente) apenas por você, mas porque sua felicidade, longe ou perto de mim, é algo que diz respeito a minha vida. Você faz parte dela.

O dia em que estávamos lá no alto, não sozinhos, mesmo sentindo como se estivessemos, com um horizonte lindo a nossa frente e eu pude desfrutar do silencio, da sua companhia e da sua compreensão. Um dia deitamos no banco de traz daquele carro branco, que nem é mais seu, e dormimos. Foram minutos sagrados que fizeram com que meu corpo sentisse como horas. Ou um dia qnd eu estava deitada, aqui, sozinha, naquele friozinho bom e assistindo a sei lá o que, e me ligaram dizendo que você havia se machucado e quando dei por mim me deparei c/ vc, seu curativo no cotovelo e eu de pijama, descabelada, com o coração saltando pra fora do peito, as pernas bambas e as mãos tremulas de medo, em frente a sua casa. Acho que foi um dos melhores abraços que já te dei. E que você seja capaz de me perdoar pelos que não te dei qnd precisou. Um dia, tarde da noite, choramos de saudade de pessoas que nos fazem falta parados em um lugar qualquer. Um dia chorei pelo medo de sentirmos saudade um do outro. Um dia dancei até os pés não aguentarem mais, tomei qualquer coisa pra refrescar a garganta e as pernas acabaram ficando bambas além da conta. Ao invés de aflorar o lado chato que qualquer um tem, você riu de mim, comigo e ainda teve paciência pra fazer as pernas voltarem ao normal. Um dia escutávamos uma musica qualquer em algum lugar, boas companhias, e uma companhia nos impedia de ficar próximos demais. Nunca vou esquecer seu jeito calmo e bem humorado de deixar claro o quanto não gostava daquilo.

A vida chega a um ponto em que você percebe que não apenas desfrutou da companhia de outra pessoa ao longo da sua. Não houve companheirismo. Houve vida! Tornaram-se parte da vida um do outro. Tanto que passa até a ser difícil, (extremamente difícil), não poder compartilhar de coisas que você viu crescer ou serem conquistadas. A vida passa a ser tão comum que a alegria de um é a do outro e a frustração passa a ser também a sua. As coisas passam a ser no mínimo chatas quando uma alegria, que também é sua, não estará diante dos seus olhos.

Noites mal dormidas, não dormidas, dias inutilizados. Era tão mais fácil quando eu não me obrigava a pensar nas pessoas e nas consequencias que meus atos trariam pra vida delas. Minha inconsequencia sempre me fez ver a vida pela sua esfera mais simples. E eu sempre gostei dessa minha capacidade. As pessoas complicando tanto suas próprias vidas por causa dos outros, se podando, abdicando de si apenas pra que tudo ficasse bem, e não pra que fossem indiscutivelmente completas. Fazer tudo por alguém. Até que ponto vale a pena?
...to be continued!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Mistério ao vento

~*Limpar o armário sempre tem das suas né? E não é que eu achei um caderno velho?...
------//-----

Finalmente me entendi. Calculei perfeitamente a causa de tamanha fixação.

Surpreendentemente me peguei lembrando de um abraço apertado em que meus dedos não conseguiam deixar a sua nuca, meu rosto o aconchego do seu pescoço e meu coração o calor do seu peito. Seus braços não conseguiam parar de envolver minha cintura, seus beijos não deixavam meu pescoço; enquanto seu próprio pescoço não parava de querer o arrepio causado pela minha conversa mansa.

Seus dedos dançavam como pincéis pelo decote que deixava a mostra, até o limite, todo o meu dorso. Dançavam como quem deseja pintar o mundo em pele tão iluminada. Pintavam como quem quer emoldurar aquela tela e pendurá-la no salão principal de um castelo, afim de acaricia-la sempre. As mãos se prendiam a cintura, como a criança faz com o presente que acabou de ganhar...agarra e aperta contra o peito com medo de que alguém lhe leve tamanha satisfação. Com a doçura de quem colhe uma flor recostou teu rosto no meu até chegar ao sorriso mais verdadeiro com que já fui capaz de lhe presentear. Uma das mãos deixou dorso, cintura, pele e se encaixou entre bochechas, orelha e pescoço me fazendo fechar os olhos e me permitindo desejar nunca sair dali.

Mas de repente um vento soprou e meu corpo todo se encheu de frio. Meus dedos se fizeram estáticos sem seus pedidos de carinho para atender. Minha respiração cessou. Se não era para lhe fazer estremecer ela preferiu se esconder. O coração congelou por outro peito não se importar mais em aquecê-lo. Vi seus braços, antes eufóricos, agora quietos, calmos, desapegados. Vi seus lábios secos, calados e solitários. Vi seus dedos fazendo companhia ao meu lugar preferido, te fazendo parecer angustiado; meu lugar gritava não querer aquele companhia, mas você era insistente. Meu lugar transpirava saudade e necessidade...de mim. Meus dedos transpiravam necessidade da sua nuca, meu rosto tranpirava necessidade de aconchego e meu coração tranpirava necessidade do seu calor.

O vento frio soprou você para longe de mim. E foi esse o motivo de tanta fixação. Sempre quis aquilo que me foge ao alcance das mãos, voar mais alto que o céu ou simplesmente querer o que não me queria. O vento fez de você o meu mistério.

Mal sabia ele o quanto eu te leio bem.

R.R.
29/03/09