segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Cotidiano

Queria te dizer que por aqui tudo vai bem. Ou mais ou menos bem. Ainda não sei bem.

Aquela camisa que você esqueceu eu doei. É que passou por aqui um senhor franzino, de olhos bem azuis e pele queimada pelo sol. Fazia frio, ele pediu comida e quando eu ia levar o prato vi sua blusa no braço do sofá, dei a ele. Fazia bastante frio. No seu aniversário te compro outra. Eu sei que você adorava aquela, porque era vermelha e quentinha, mas já estava desbotada. Te dou uma preta. Você fica lindo de preto.

Finalmente resolvi levar a sério aquele projeto de ser alguém na vida. Tenho estudado o máximo e dormido o mínimo possível. Concordo, sempre fui preguiçosa e dorminhoca, mas tenho vivido a base de café e coca-cola. Pois é, justo eu que detesto refrigerante. A celulite tem aumentado um pouco, já que a promessa da academia só está sendo adiada. Um sonho de cada vez. E você também sempre disse nunca se importar com isso.

Parou de beber? acho que você está mentindo. Sempre que diz isso está. Eu não. Na verdade nem quero. Demorei a aprender, vai que novamente perco o costume? na verdade não sei que costume. No máximo um ou dois copinhos já fazem efeito, já que o tempo para a "vida social" está cada vez mais escaço.

Estou de mudança. Ganhei um banheiro só meu e agora posso deixar meus brincos em cima da pia, deixar a escova de dentes no copinho sem ter medo que você usufrua dela e entupir a bancada de cremes, shampoos e o que mais eu tiver vontade sem que você  me acorde pela manhã com a sua sinfonia ao derrubar ao menos uns cinco potes.

Ah! comprei uma saia daquelas que você gosta. E não venha com seus típicos trocadilhos, obviamente não disse que você gosta de usar. Mas daquelas poucas que te fazem me elogiar. Apesar da cor meio duvidosa, é daquelas que quando a menina é criança adora ficar rodando pra ver a saia ficar redondinha. Eu ainda insisto que saias abaixo do joelho são a cara da minha avó, e não a minha, mas eu gosto de elogios, ainda mais vindos de você, que são tão raros.

Ontem o vento derrubou o nosso porta retrato e o vidro rachou. Minha mãe veio aqui hoje e disse que era pra eu trocar a foto ou o vidro, porque atrai azar. Pensei comigo: "ainda dá pra ficar pior?". Não se preocupe, eu não contei nada pra ela. Eu sei que você não suporta os palpites dela. As vezes até eu me irrito, mas claro que eu nunca te disse isso. Não vou dizer pra você nunca que minha mãe está errada e o certo é você.

Eu não contei pra ela a falta que me faz você derrubar os cremes, ou eu pedir pra você trocar o moletom vermelho-desbotado-quase laranja. Ou te olhar abotoar a calça, com o cinto desafivelado, ao mesmo tempo calçar o sapatenis (que eu adoro) e ajeitar o cabelo, todo afobado pra gente chegar na hora que meu pai marcou. Eu não disse que eu observava tudo aquilo admirada e rindo do seu jeito desengonçado de se arrumar e me apressar. Eu não contei que você não reclama mais daquela touca de banho rosa bebê horrorosa que eu usava pra gente tomar banho e você não molhar meu cabelo. Acho que você tentava sempre de proposito, só porque eu detesto dormir de cabelo molhado e você gostava de se aproximar de mim e sentir o cabelo gelado encostar em você até você dormir.

Eu não comentei com ela que não tenho mais como pedir pra você parar de fumar, lembrar de separar suas "monocelhas" e comer antes de uma noite de bebedeira. Eu não contei que eu ainda rezo por você todas as noites.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Passado, presente e futuro clichê!

Pediu que fechasse os olhos e descrevesse minuciosamente, agora longe de papel e caneta, tudo que havia acabado de acontecer.

Docemente, como não sentia a tanto tempo, tocou com seus dedos quentes aquele pescoço que lhe chamava, a pontinha da orelha gelada e o canto do sorriso que lhe pertencia. Acomodou seu (a)braço envolvendo a cintura fina, que voltava a lhe pertencer. Passou a observá-la como se não a visse há tanto tempo. Ou como se antes a olhasse, mas não visse nela quem queria.

Aproximava-se de seus lábios machucados pelo frio, ou pela ansiedade, e ali permanecia. Sentia a respiração dela, acariciava seus contornos, respirava com ela e dali uniam-se num só. A mão que antes não deixava seu rosto passeava agora entre ombros, colo, barriga, cintura, braços, costas ou onde mais fosse chamado.

Sussurrava-lhe ao pé do ouvido. Agarrava aquele emaranhado de fios como se fosse aquele o único jeito de mostrar a ela de quem ela realmente era. O tempo? Ah que tempo bom, mas nunca fora tão ágil. Pulsava tão acelerado quanto o coração, que ela sentiu desenfreado enquanto o olhava. Bobo e simples assim. Desenfreada apenas em...vê-lo por dentro.

"Como pode sentir saudade de alguém, mesmo estando ao lado desse alguém? É tão estranho. Já sentiu isso?". Aquilo não lhe saiu da cabeça por tanto tempo. Ainda não sai, pra dizer a verdade. Foi tão sincero, tão doce, tão singelo. Soou como uma promessa, que ela sabia seria quebrada, afinal sempre soube que a saudade dele não dura. Mas chorou, de emoção, por dentro. E sorriu pra ele com o sorriso que lhe pertencia.

Depois de lhe dar tempo para sentir aquelas saborosas sensações de novo, lhe pediu dois finais. Como tudo aconteceria dali pra frente, quando se veriam, se seriam de verdade um do outro, se o mundo daria mais voltas ainda, se a vida os tiraria um do outro, e mais um monte de outros "se...". Um final a dois, um final a sós. Daí? Ela abriu os olhos e lembrou-se que aquilo que veio antes de tudo isso foi a parte com ele...talvez, um dia, um possível futuro bom. Hoje? O gosto amargo que ser 'a sós' tem.

Ela não lhe contou nada disso. Ele talvez nunca saiba que foi tanto. Mas...ficou muda e sorriu.

Apenas sorriu
e suspirou...

...por dentro (com o amor que lhe pertence).

terça-feira, 10 de maio de 2011

Vida pequena.

Eu queria muito poder puxar a cadeira velha, o coração angustiado e me sentar em frente a Deus e apenas conversar. Imagine só que petulância, eu, uma reles criaturinha tendo a dádiva de bater um papo cabeça com o onipresente, onisciente, onipotente. Eu sei que é pedir muito, mas de que adianta sonhar se for pra ter limite?

Não sei se começaria perguntando como é saber o pq de tudo e já tentaria satisfazer diretamente minha curiosidade sobre o mundo.

Me vendo sentada ali, de frente para um rosto que, tenho ctz, me seria familiar, deixaria apenas que ele falasse. Sem mais interjeições ou interrogações. Pela primeira vez na vida, ouviria, sem mais.

Enquanto não pude falar diretamente com Ele, segui ouvindo a alma daqueles que são sua ponte mais direta. Acreditava mesmo que Deus usa as pessoas para nos atingir, mandar recados ou apenas nos consolar.

Sinto que quando a angustia bateu, Ele me mandou um par de olhos azedos com um doce abraço pela manhã. Sinto que quando a tristeza me atingiu, de alguma forma, alguém que eu realmente amava apareceu com qlqr palavra doce e me aliviou a alma. Sinto que quando a solidão apertou, sempre deu-se um jeitinho do som fino daquela voz me acalmar. Sinto que quando o choro chegou a se transformar em soluços, Ele a trouxe até mim, com aquele nariz fino, olhos grandes, corpo maaagro e coração gigante. Ele sabe tão bem quanto eu que foi a única que conheceu a fundo minha fragilidade.

Agradeceria de joelhos a Deus pelas pessoas que li. Elas me fizeram pensar sobre a falta de sentido da vida, sobre a total inutilidade do trabalho, sobre o amor (ou a falta dele), sobre a paz, fome, solidariedade, ambição, generosidade e tudo mais sobre o que há para se pensar nesse mundo. Li ideias cretinas ou sublimes de gente que sequer conheço e, várias vezes, teci dali a minha identidade.

E pensar que pode ser daqui algumas horas ou quando eu atingir meus 70 anos. Sentar-me com Deus e ouvi-lo falar sobre o que eu vivi, sobre meus grandes erros, sobre as brigas entre eu e ela, sobre meus filhos ou porque decidi não tê-los. Me explicar meu enorme receio em amá-los (obviamente aqui não falo dos meus supostos filhos). Talvez seriam mais 70 anos de conversa.

Parando agora pra analisar, se a morte viesse me buscar bem antes de eu atingir a "melhor idade" não sei se eu reclamaria. Mas hoje eu não me daria por orgulhosa e menos ainda por satisfeita com o relato da minha vida. Foram poucos anos bem vividos. Ainda quero ter um bom emprego, ganhar dinheiro, ajudar tanta gente, vê-la crescer, ter a sensação de que vou morrer se tudo entre eu e ele terminar. Ahaaa! Brincadeirinha. Não desejo nada disso.

Acho sonhos a longo prazo uma enorme perda de tempo. Aliás, os que tenho e que não podem ser realizados até o fim desta semana não são verdadeiramente meus. Estão bem mais para idealizações de papai e mamãe para um futuro que eles imaginam que eu terei.

Disse que não me daria por orgulhosa pq não fui capaz de ajudar muita gente, e não por não possuir uma carreira de sucesso. Existe muita gente no mundo com fome, frio, sede e desejo de amor pra eu me preocupar só com isso. Não me daria por orgulhosa por não ser pra ela o melhor exemplo do mundo e por ter lhe transmitido um geniozinho tão difícil.

Minha insatisfação se revela em não ter me descabelaaaado de tanto gostar. Dou-me por insatisfeita se não fiz feliz quem merecia. Sei que sou extremamente carinhosa quando eu quero, mas meu dom pra ser cretina sempre foi maior. Diga-se de passagem nunca optei por não conseguir ser sentimentalóide demais (me perdoem aqueles que magoei por isso), mas as vezes o fato de alguém me querer mediante tantos defeitos me assusta um pouco. Dou-me por insatisfeita pela minha falta de paciência e por não ter sabido controlar a minha saudade.

Poucos anos bem vividos? Bem, eu fiz o possível enquanto tive chance, mas acabei me tornando uma pessoa que eu não queria DE JEITO NENHUM ser. Pq? As vezes as atitudes das pessoas que te cercam podem te atingir muito mais diretamente do que você imagina. Quando eu não tinha responsabilidades era tudo bem mais fácil, eu chorava por BEM pouco e ainda me achava uma mártir. Prazer, responsabilidade personificada, olhos secos e coração nada mole. É estranho. Acabei tendo contornos que eu nunca idealizei e até pintando os cabelos, imagine só!


Enfim, queria sentar-me com Ele e ouvir uma breve explicação. Talvez um pouco de sentido a tudo isso fosse capaz de ajudar.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Tempo

Bastou respirar fundo. Você? Passou.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Para um Merda...

Eu poderia começar de qualquer maneira mais delicada, doce, ou outra que não combina muito comigo. Mas como em toda boa briga decidi começar te dizendo áspera e sinceramente o que penso a seu respeito, pra depois me desculpar(ou não).

Você é burro. Aliás a pessoa mais burra que me cerca nos últimos tempos. Você tem uma coração gigante, um caráter inigualável, consegue ser amigo como poucos e fica assim, se fazendo de conta. Faz de conta que é garanhão e que adooora ter 20 mulheres ao mesmo tempo atrás de você. Não que eu esteja dizendo que você é viado e não gosta disso (que homem não gostaria?), só te acho hipócrita. Não é um beijo na boca bem dado hoje e nem um sexo animal amanhã que vão construir seu alicerce ao lado de alguém. Não basta dizer meia dúzia de boas palavras, um pedido de casamento da boca pra fora e achar que isso vai dar em algum lugar um dia. Ou você cresce ou os(as) outros(as) vão fazer de você só um degrau.

Eu queria mesmo saber se isso tudo se resume a covardia generalizada ou se trata de algo pessoal(relacionado a mim especificamente). Porque tanto medo de querer alguém até o limite? Sofrer o novo, de novo, e mais uma vez até achar que o mundo vai acabar por tão pouco. E no fim acabar descobrindo q o cara no espelho não passa de mais um dramático passional e que já passa da hora de procurar alguém pra GOSTAR(veja bem que eu não disse comer).

Acho até engraçado o fato de você ter apontado o dedo pra mim tantas vezes. Me criticando, dizendo que eu era isso ou aquilo e me provocando ao máximo apenas pra ter o prazer de me ouvir explodir. A troco de que? Me cobrou atitudes em relação ao que diz respeito somente a nós e quando EU finalmente tive coragem o bundão foi você. Lembre-se bem que me dispus a ser simplesmente sua.Quem disse:"a gente nunca daria certo" foi sua boca, NÃO A MINHA.

Pra você todos os outros eram cretinos, cheios de pouca graça. Pra mim foram doces tentativas. Você? Não diria que não foi doce, mas diria que te deixaram fora da geladeira até estragar.

Em qual parte do caminho foi que te indicaram o atalho? O caminho mais "fácil"? Pq justo você, que nunca foi dessas coisas, muda assim? Acho que a burra sou eu. Só pode ser...é a única explicação plausível pra isso. Sempre tão ético e fiel ao que sente.

Talvez eu tenha encontrado o ponto certo. Você não mudou absolutamente nada, só não sente. Não me sente mais. Não nos sente mais. Apenas mente pra mim, como eu sempre desconfiei que o fizesse. Só deixou que eu acreditasse que um dia eu seria aquela ruiva com quem você sonhou...acho que vc sequer lembra disso. Pq essa crueldade toda? Porra, vc sabe mto bem a filha da mãe orgulhosa que eu sou e quantas e quantas vezes me fiz pouco só pra desfrutar da sua companhia. Você é um merda.

Quer saber por que você é um merda eu te digo! Te dei a mão nos momentos mais difíceis que você passou. Me preocupei até perder o sono qnd vc tinha que entrar naquele caralho até chegar em casa. Me preocupei se tava dormindo bem, comendo o suficiente ou conseguindo se relacionar c/ as pessoas por lá. Não deixei vc desistir dos seus sonhos e te dei força pra ter ambição. Passei por cima de mim pra apenas saber se vc estava bem. Qnd não estava, mesmo que eu não gostasse do motivo, te ajudei. Joguei o orgulho goela abaixo. Fique você sabendo que cortou mais que navalha. Sorri com o melhor que tinha em mim só pra você não perceber. Nos dias em que me viu mais bonita foram os dias que mais tive vontade de me descabelar e te dizer todas essas verdades. Deixei de ser mais eu pra beber um pouco de você. Pode me achar pretenciosa o quanto quiser, mas estava disposta a ser a melhor mulher do mundo pra você. Puta que pariu, cheguei a ser fiel a um homem que nem meu era!! Quem me vê falar assim pode até sentir pena ou dizer que eu não deveria ter feito nada assim. Não me arrependo. A estes digo que estão diante de um exemplo fiel daquilo que significa GOSTAR DE ALGUÉM. E isso exige C-O-R-A-G-E-M!

Queria te olhar nos olhos e perguntar tanta coisa. Saber se era mesmo mentirinha. Se o carinho era verdade ou era pra me ter nas mãos. Se o cafuné era bom pq era bom ou se qualquer um satisfaz. Se era tudo físico. Se sentia saudade. Se dava vontade todo dia ou só qnd me via.

Pensar que você poderia ter sido tão feliz.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Carta a todas as mulheres e homens burros que conheço.

Não ousaria colocar aqui mais do que as geniais palavras de Sherry Argov:

"Um sujeito inteligente e decente não construiria a vida ao lado de uma mulher que não tenha os pés bem firmes no chão. Os homens não se casam com mulheres que fazem o tipo "menininha" porque não querem sentir que estão adotando uma criança. A única razão pela qual os homens gostam de mulheres idiotas é para poder se aproveitar delas - em curto prazo. UM CARA LEGAL VALE O QUANTO PESA, quer uma PARCEIRA competente e de múltiplos talentos. Alguém que possa lidar com as situações quando ele não estiver por perto."

Grata pela atenção.

R.R.
14 de dezembro de 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Trem Fantasma

mania de reclamar. mentiroso daquele que diz que não tem, poucos os que não fazem e exceções aqueles que não gostam.

hoje tá frio. amanhã calor demais. eita, tempo seco que não passa, chuva grossa que não para, telefone que não toca, amor que não desabrocha. a gente é assim, incontente. não sei ainda se por vontade ou por inercia, mas a mania de não dar-se por satisfeito parece epidemia.

o cabelo tá feio, o emprego vai mal, a mulher trai, o filho chora, a empregada queimou o vestido, o salão não tem horário, está gorda demais, está mais magra ainda, a pasta abriu no meio da rua, o café caiu no documento importante, as crianças vão mal na escola, o patrão não paga os atrasados, o computador queimou, ele não me ama, ela não me quer, o telhado tem goteira, a cortina rasgou, o gato morreu, a loja preferida fechou, as costas estão doloridas, comeu demais, a fome não passa, o sapato machuca, a pele descasca, o carro quebrou...UFA! parece que quanto mais leio esse parágrafo mais as reclamações que escutei hoje me vem a cabeça.

isso tudo me fez pensar em quanto a gente sempre se lembra de se revoltar contra as coisas que a gente tem. deve ser mais fácil. eu não sei se as pessoas acham bonito, mas, a meu ver, parece que sim! não agradecer por ter quem ama por perto, não abraçar o (des)conhecido que acaba de passar por você na rua, não ter paciência com os avós doentes, brigar por ciume idiota do namorado, discordar do chefe, apontar o erro do outro, consolar o outro colocando a sua dor como sendo maior que a dele...o mundo me assusta!

posso estar sendo muito dura, injusta ou incrédula, mas minha fé nas pessoas tem morrido cada vez mais cedo.

concordo que estou vendo as pessoas e as coisas de um ponto de vista extremamente "puritano", mesmo não sendo essa a palavra mais apropriada. porém não acredito que esteja tão errada assim. talvez se metade das pessoas que eu 'conheço'(pq não acredito que ning conhece ning verdadeiramente) vissem o mundo como tenho visto, ele seria um lugar mais confortável(agradável seria pedir demais).

não sei se a essência delas é que tem morrido pra mim, ou se eu simplesmente me fartei de tentar ajuda-las, ou se não me importar pra mim também é mais cômodo. entende-los pra mim é uma perfeita incógnita. talvez seja esse o problema, nem são gente mesmo...são meros fantasminhas invertidos, vivos em matéria e mortos em sentimentos. assombrando uns aos outros e sempre com um assunto 'inacabado'...

AS PRÓPRIAS VIDAS!

R.R.
18/08/2010

domingo, 4 de julho de 2010

Me leva junto?

então é assim? você simplesmente foi embora, sequer se despediu com aquele abraço de urso e eu fico aqui? assim? sozinha? cade você pra dizer que hoje a gente vai se ver? cade voce pra dizer que tudo vai fica bem? pra dizer que se alguém criar problema pra mim tá perdido? cade a sua cara lerda pra me dizer que eu tô gostosa, "pq quem acha mulher 'linda' é viado"? cade seu jeito torto de dizer o quanto gosta dos seus amigos? cade seu jeito acanhado de perguntar pelos velhos amigos?
você foi embora e eu sequer tive tempo de te dizer o quanto te amava, o quanto eu te queria sempre desesperadamente por perto...o quanto, mais o quanto você me faria falta. você foi embora e esqueceu que a gente ainda tinha tanta coisa pra viver, tantas promessas pra cumprir, tantas brincadeiras pra viver. você só foi embora...e parece que isso basta pro chão deixar de existir.
essa saudade e esse gostinho de quero mais nunca vão embora?
pegar aquele telefone idiota, ligar, ligar, ligar e ligar mais um pouquinho só pra tentar ouvir ao menos sua respiração. Mas acho que pra onde você foi telefones não pegam muito bem.
a música que você gosta tanto começa e o coração dispara junto, as pernas não obedecem mais, as mãos ficam friiiias e a alma parece gelada. a sensação é de que meu porto seguro foi arrancado de mim e me deixou assim, perdida. a sensação é de olhar a porta por onde você sempre entrava, chegar a escutar o girar da maçaneta, mas nunca ser você quem entra.
passo o perfume que você mais gosta, o vestido, o cabelo...tudo ao seu jeito, e de que adianta se você não vai ver nada disso?
você não sabe a falta que me faz, a dor que me causa e o desespero que dá...só pra me juntar a você!

PELO AMOR DE DEUS, volta de uma vez e tira essa agonia daqui de dentro?

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Alivio

Escrita sempre longa, assuntos pouco variados.
Ouvi reiteradas vezes nos ultimos tempos que mudei.
Antes achei um pesar, porque, sinceramente, gostava de mim.
Hoje, pensando bem e observando a vida, como sempre gostei muito de fazer, decidi que "mudar" foi bom. Que É bom! Até porque, quando a gente não muda por si só, a vida acaba fazendo isso independente da nossa vontade.
Curioso é que ela já tomou essa decisão tantas vezes por mim que já tinha me esquecido o quanto esse sabor é delicioso.

Palavras poucas.
Vida muita!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Metade feliz?

"Eu descobri que ser inteira não me dá medo, porque ser inteira já é ser muito corajosa."

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Difícil?

por fim a gente acaba criando a falsa idéia de que é fiel. Ei, quem você pensa que é? Você não é fiel nem as próprias idéias, como cobrar de alguém fidelidade? Como querer que alguém te queira? como querer um querer que nem seu é, mas que você tomou posse?bobagem...

ser fiel é difícil.
imagine, viver a vida toda observando sempre o mesmo sorriso. Desde quando ele era jovem até quando cria aquelas rugas feinhas ao redor dos lábios.
imagine sempre desfrutar daqueles mesmos olhos, olhares, cores. Quando finalmente vocês dois estiverem velhos observando a vida de algum lugar, juntos ou não, ao fechar os seus conseguirá desenhar até as imperfeições que aquela íris tinha.
imagine, passear pelo supermercado e pela loirona gostosa que piscou pra você, ou simplesmente passar pela sessão de limpeza e lembrar-se de comprar o desinfetante que sua esposa te pediu aos berros 229 insuportáveis vezes.
imagine suas amigas te ligando 'N' vezes, justamente no dia do aniversário de vocês dois, te chamando pra ir p/ aquela micareta que você aaaaaaama, mas que ele detesta(e se ele fosse com você só atrapalharia - ele sabe que lá haverá mil caras mais bonitões e mais gostosos que ele e com muito mais a oferecer).
imagine conhecer todos os defeitos de alguém. os mínimos e mais nojentos defeitos de alguém. imagine ele e sua mãe discutindo sobre a educação dos seus filhos, que afinal nasceram de VOCÊ e dos quais ninguém sabe mais do que a própria!!
imagine QUANTA paciência requer a fidelidade.

vejo problema nas pessoas não verem problema na dor mais dolorida que eu já conheci. E de forma alguma que você pare de desejar loucamente o bonitão da novela ou que ele deixe de achar a peladona do mês gostosa(ele não seria homem se isso acontecesse). não trato desse tipo de fidelidade, até porque nem eu sou de ferro.

Falemos de fidelidade de espírito.

Não entenda meu pensamentos sobre fidelidade como alguém que quer que as pessoas tenham sempre as mesmas idéias, ou que venham a agir sempre da mesma maneira. Isso é burrice. Diferentes pessoas ensejam diferentes reações, distrações e sentimentos.
Nada impede que você mude de idéia. Mas alguém impede que suas idéias controvérsias machuquem alguém.
Nada impede que você hoje ame alguém e que amanhã isso mude. Mas alguém impede que você desrespeite o outro em benefício próprio.
Nada impede que você não queira mais beijá-la. Mas alguém impede que você beije outros lábios antes de se desfazer daqueles.
Nada te impede de querer a loirona do supermercado. Mas alguém te diz que tê-la significa não ter mais o que antes era seu.
Nada te impede de tentar. Mas se você toma essa decisão alguém te impede de desistir.
Nada impede que você caia em tentação. Mas alguém te mostra que não cair é melhor.
Nada impede que você sinta vontade de outros beijos, outros abraços ou de outros trejeitos. Mas alguém te impede de enganar alguém apenas para tê-los.
Nada impede que você de declare pra quantas mulheres você quiser. Mas alguém te impede de fazer isso pra quem realmente importa.

O problema é que esse 'alguém que impede' NUNCA é quem deveria ser...você mesmo.
E se você for pensar ser fiel nem é tão difícil assim.
Difícil é achar quem ame de verdade.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Fazer tudo por alguém, vale a pena?

Me questionei muito. Duvidei das minhas certezas como nunca pensei que faria. Justo eu, tão cheia de mim e sempre tão segura. Ou apenas tentei ser boa atriz. Dúvidas que só levavam a mais dúvidas e uma confusão que não me trouxe/traz/trará conclusão alguma. Aliás só eu sei o quanto dúvidas podem ser capazes de me irritar.

Será que todo aquele enlace do qual participamos tantas vezes era pelo prazer que o encontro de dois corpos proporciona, ou era a simples e pura vontade de poder respirar mais próximos? Afinal, quando é que você sabe se gosta de alguém ou se gosta do beijo, do cheiro ou das sensações que o outro te causa? Era tudo baseado no que se sentiu um dia ou o sentimento de hoje é menos, mais, um pouco menos ou um pouco mais intenso que o de ontem? O amor, é amor? É vício? Deixou de ser vício quando, que eu nem me dei conta? E essa saudade, essa vontade, esse medo sem fim de não conseguir alcançar mais você?...pra quê? pq? Remover uma montanha pra conseguir apenas segurar a mão e dizer palavras inúteis em momentos difíceis? Pra que?


Pois fique você sabendo que eu não gosto de te beijar pelo simples fato de te beijar, mas porque é a única forma que eu consigo sentir você sendo completamente meu. É minha forma de te mostrar que o tempo pode realmente parar. Eu não gosto de recostar a cabeça no seu peito simplesmente porque sei que você gosta de me acolher. Faço porque é quando eu e seu coração conversamos mais diretamente. É quando eu me sinto capaz de fazê-lo acelerar se toco seus lábios, ou fazê-lo se acalmar simplesmente ao recostar meus dedos sobre a sua nuca. Não te faço carinho por saber onde ou como você gosta, minhas mãos te encontram por ser a minha maneira de tentar te fazer descansar(já que você não se permite). Não seco seu choro, nem tento te trazer um pouco de paz(as vezes inutilmente) apenas por você, mas porque sua felicidade, longe ou perto de mim, é algo que diz respeito a minha vida. Você faz parte dela.

O dia em que estávamos lá no alto, não sozinhos, mesmo sentindo como se estivessemos, com um horizonte lindo a nossa frente e eu pude desfrutar do silencio, da sua companhia e da sua compreensão. Um dia deitamos no banco de traz daquele carro branco, que nem é mais seu, e dormimos. Foram minutos sagrados que fizeram com que meu corpo sentisse como horas. Ou um dia qnd eu estava deitada, aqui, sozinha, naquele friozinho bom e assistindo a sei lá o que, e me ligaram dizendo que você havia se machucado e quando dei por mim me deparei c/ vc, seu curativo no cotovelo e eu de pijama, descabelada, com o coração saltando pra fora do peito, as pernas bambas e as mãos tremulas de medo, em frente a sua casa. Acho que foi um dos melhores abraços que já te dei. E que você seja capaz de me perdoar pelos que não te dei qnd precisou. Um dia, tarde da noite, choramos de saudade de pessoas que nos fazem falta parados em um lugar qualquer. Um dia chorei pelo medo de sentirmos saudade um do outro. Um dia dancei até os pés não aguentarem mais, tomei qualquer coisa pra refrescar a garganta e as pernas acabaram ficando bambas além da conta. Ao invés de aflorar o lado chato que qualquer um tem, você riu de mim, comigo e ainda teve paciência pra fazer as pernas voltarem ao normal. Um dia escutávamos uma musica qualquer em algum lugar, boas companhias, e uma companhia nos impedia de ficar próximos demais. Nunca vou esquecer seu jeito calmo e bem humorado de deixar claro o quanto não gostava daquilo.

A vida chega a um ponto em que você percebe que não apenas desfrutou da companhia de outra pessoa ao longo da sua. Não houve companheirismo. Houve vida! Tornaram-se parte da vida um do outro. Tanto que passa até a ser difícil, (extremamente difícil), não poder compartilhar de coisas que você viu crescer ou serem conquistadas. A vida passa a ser tão comum que a alegria de um é a do outro e a frustração passa a ser também a sua. As coisas passam a ser no mínimo chatas quando uma alegria, que também é sua, não estará diante dos seus olhos.

Noites mal dormidas, não dormidas, dias inutilizados. Era tão mais fácil quando eu não me obrigava a pensar nas pessoas e nas consequencias que meus atos trariam pra vida delas. Minha inconsequencia sempre me fez ver a vida pela sua esfera mais simples. E eu sempre gostei dessa minha capacidade. As pessoas complicando tanto suas próprias vidas por causa dos outros, se podando, abdicando de si apenas pra que tudo ficasse bem, e não pra que fossem indiscutivelmente completas. Fazer tudo por alguém. Até que ponto vale a pena?
...to be continued!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Mistério ao vento

~*Limpar o armário sempre tem das suas né? E não é que eu achei um caderno velho?...
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Finalmente me entendi. Calculei perfeitamente a causa de tamanha fixação.

Surpreendentemente me peguei lembrando de um abraço apertado em que meus dedos não conseguiam deixar a sua nuca, meu rosto o aconchego do seu pescoço e meu coração o calor do seu peito. Seus braços não conseguiam parar de envolver minha cintura, seus beijos não deixavam meu pescoço; enquanto seu próprio pescoço não parava de querer o arrepio causado pela minha conversa mansa.

Seus dedos dançavam como pincéis pelo decote que deixava a mostra, até o limite, todo o meu dorso. Dançavam como quem deseja pintar o mundo em pele tão iluminada. Pintavam como quem quer emoldurar aquela tela e pendurá-la no salão principal de um castelo, afim de acaricia-la sempre. As mãos se prendiam a cintura, como a criança faz com o presente que acabou de ganhar...agarra e aperta contra o peito com medo de que alguém lhe leve tamanha satisfação. Com a doçura de quem colhe uma flor recostou teu rosto no meu até chegar ao sorriso mais verdadeiro com que já fui capaz de lhe presentear. Uma das mãos deixou dorso, cintura, pele e se encaixou entre bochechas, orelha e pescoço me fazendo fechar os olhos e me permitindo desejar nunca sair dali.

Mas de repente um vento soprou e meu corpo todo se encheu de frio. Meus dedos se fizeram estáticos sem seus pedidos de carinho para atender. Minha respiração cessou. Se não era para lhe fazer estremecer ela preferiu se esconder. O coração congelou por outro peito não se importar mais em aquecê-lo. Vi seus braços, antes eufóricos, agora quietos, calmos, desapegados. Vi seus lábios secos, calados e solitários. Vi seus dedos fazendo companhia ao meu lugar preferido, te fazendo parecer angustiado; meu lugar gritava não querer aquele companhia, mas você era insistente. Meu lugar transpirava saudade e necessidade...de mim. Meus dedos transpiravam necessidade da sua nuca, meu rosto tranpirava necessidade de aconchego e meu coração tranpirava necessidade do seu calor.

O vento frio soprou você para longe de mim. E foi esse o motivo de tanta fixação. Sempre quis aquilo que me foge ao alcance das mãos, voar mais alto que o céu ou simplesmente querer o que não me queria. O vento fez de você o meu mistério.

Mal sabia ele o quanto eu te leio bem.

R.R.
29/03/09

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Imagine

~*Eu não gosto de colocar coisas que não sejam minhas, mas ai um Amor me mandou isso há um tempo e me fez pensar que as pessoas estão realmente precisando de um pouco mais disso:

"É NAMORO OU AMIZADE?

Coragem, confesse: você assiste ao programa Em nome do amor do Silvio Santos, domingos à tarde. É aquele programa onde garotas e rapazes que nunca se viram mais gordos tiram uns aos outros para dançar ao som de Julio Iglesias, enquanto aproveitam para trocar três palavras. No final da música, Silvio pergunta para cada casal: é namoro ou amizade? Se a menina responder amizade, volta para o banco de reservas. Se responder namoro, ganha um buquê de flores e sai de mãos dadas com um amor novinho em folha.

Já pensou que paraíso se fosse fácil assim?Você está no bar da faculdade tomando um suco quando surge aquele colega que é um gato e que só faz uma cadeira nas quintas. Ele vem na sua direção e sorri. É seu dia de sorte. Está cada vez mais perto. Finalmente chega e lhe entrega um minidicionário Aurélio. "Você deixou cair ali fora". Antes que você consiga dizer obrigada, ele dá meia-volta, mas não consegue dar um passo. Silvio Santos está de microfone na mão interrompendo a fuga: é namoro ou amizade? "Namoro", responde você. A platéia do bar aplaude, você segura a mão do cara e não larga nunca mais.Você está de bobeira no posto de gasolina, sábado à noite, encostado num Kadett. Sua cerveja está ficando quente e você não tem mais um tostão no bolso. Olha para o relógio: hora de saltar fora. Nisso surge uma clone da Cameron Diaz e pede licença para sair com o carro. Você desencosta. "Está bem cuidado, princesa", diz naquele seu jeito cafajeste. Ela entra, tenta arrancar mas quase atropela Silvio Santos, que surge não se sabe de onde, perguntando à queima-roupa: é namoro ou amizade? "Namoro", responde você entrando no Kadett da loira. Arranjou uma carona e uma paixão.

Você é divorciada e não é uma ninfeta: quase já esqueceu para que serve um homem. Está no cinema sozinha, pra variar. Nisso entra um cinquentão boa pinta, sem aliança no dedo. Senta quase ao seu lado, apenas uma poltrona os separam. As luzes ainda estão acesas e na fila da frente três retardadas não páram de rir e de fazer barulho com o papel de bala. O bacana olha pra você e diz: "Espero que, quando o filme iniciar, esse frege termine". Ele fala frege, como você. Feitos um para o outro. Nisso Silvio Santos materializa-se na poltrona do meio e lasca: "É namoro ou amizade?" Você agarra o microfone: "Namoro". Silvio sai de fininho, você pula para a cadeira do lado e assiste todo o filme com a cabecinha apoiada no ombro do tipão.

Ou você põe a imaginação pra funcionar ou se inscreve no Em nome do amor. Mas vai ter que agüentar o Julio Iglesias. "

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Selo

Bom, eu fui indicada, então aqui estou (apesar de achar que nem mereço=X). Os selos são concedidos apenas por indicações feitas por outros blogs, e os indicados tem de responder as perguntas em um post e colar os três selos seguintes. Então, vamos a eles:


1)A primeira música que lhe veio na cabeça agora:
R: Codinome Beija-Flor -Cazuza

2)Uma música pra curtir com a paquera/namorado:
R: depende de quem for a “paquera”=X

3) Uma música muito romântica (o que se pode dizer de: "seu tema de amor"):
R: Novamente depende, mas vai: Último Romântico – Lulu Santo (tema de vida eu diria, e não de amor.)
4) Uma música pra tirar a roupa = strip-tease:
R: Danni Carlos- Fever

5) Uma música para uma boa transa (a transa pode até ser ruim, mas a música ótima):
R: Por acaso alguém vai prestar atenção na música?! =X o.O

6) Uma música "I WILL SURVIVE" = hino gay:
R: Ricky Martin – Livin’la vida loca!

7) Uma música que saiu do lixo / ou pra jogar no lixão:
R: Não vale mais chorar por ele –Ivete Sangalo, ou seja lá quem cante essa coisa.

8) Uma música que você ama, mas o DJ insiste em não tocar na balada:
R: Puro Êxtase – Barão Vermelho =)

9) Uma música da hora (música que está na moda e você adora!):
R: Martelo Bigorna – Lenine (não está na “moda”, mas eu gosto!)
10) A música que você mais gosta em todo mundo:
R: Impossível escolher só uma.






Segundo bloco de perguntas para o outro selo:
- Uma música mágica:
R: Pai – Fábio Junior
- Um filme mágico:
R: O amor pode dar certo.

- Uma viagem mágica:
R:” Um carro, tanque cheio, rumo a lugar incerto.” ( a resposta foi copiada, mas não poderia ser melhor!)






Meus indicados aos três selos acima são:

















Lah.










Bela.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

(Des)espero

ainda tenho a esperança de estar errada. ainda sinto vontade de que meu saber esteja errado e que a mágica se faça de novo. esperança tola, burra, errada, desgraçada. esperança faminta. esperar. detesto esse verbo. ficar a mercê de algo que é quase, algo que é completamente improvável.

quando sinto os sabores diversos que o vento traz, não sinto vontade de provar do gosto da espera. espera é quase bom e é quase ruim. desde quando algo que é quase tem gosto de alguma coisa? pode até ser que certas coisas tenham seu gosto: ciúme é picante, amor é doce, desilusão é amarga, mas cada um deles tem seu mistério bom. espera só tem gosto desgostoso, e quanto maior ela fica, menos saborosa se torna. ansiedade é bom. ansiedade é tempero na medida certa. espera é maldade. esperança. espera.

sentar e admirar o sol se por é bom. esperar para que ele se ponha é chato. que ninguém tenha que esperar o sol se por ao lado de outro alguém; mas que todos um dia admirem acompanhados o perfume que a Lua traz consigo quando nasce.

será que a espera é tão vazia como eu acho que é? será que ela é desatino? será que minha sede de matá-la vem do, sempre presente, ódio pela perda de tempo? será que só eu que a desgosto tanto? espera - não tem nada para deixar a quem lhe é alheio, não ocasiona nada, não revela nada, não traduz nada e nem ama a ninguém. e ainda assim esperam.

apesar de brincar tanto de me esconder dela, esperei. esperei incontáveis vezes pelas coisas mais variadas. esperei o máximo que se pode esperar do tempo, dos outros e até de mim. esperei do tempo algum acontecimento meteórico que fosse mudar o curso da vida. esperei dos outros, ou de seus corações, sensações e ações (in)discretas que me fizessem sentir vontade de viver. esperei de mim mudanças astronômicas. esperei o máximo que se pode esperar. O que eu ganhei? menos tempo, menos 'outros' e um pouco menos de mim.

a única esperança que eu quero ter agora é de que essa espera um dia vá morrer!
(se é que eu não acabo de cometer um crime)

R.R. 09/09/2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Transparência

sinceramente eu não vim aqui pra escrever qualquer coisa sobre qualquer outra coisa. vim tentar desabafar essa minha esteria - já que olhando em olhos, que não são mais os teus, eu não consigo. sinceramente estrela do meu céu, eu não vim aqui pra gritar pra você a falta que você me faz, eu não vim aqui pra te dizer que a saudade está cada vez mais insuportável. sinceramente eu não vim aqui implorar mais. eu vim me colocar a disposição pra sentir por você. sinceramente anjo meu, vim apenas me confessar.

sinceramente eu não vim aqui para contrariar as falsas idéias, de pessoas mais falhas que seus próprios pensamentos. sinceramente não vim aqui para tentar encontrar explicações e menos ainda para dá-las. sinceramente eu vim aqui para lhe contar sobre esse arrepio que faz com que eu sinta a minha própria dor exalando pelos poros. eu vim para lhe contar que quando fecho os olhos tudo que eu mais desejo é poder me afogar nas tuas janelas, que eu sinto aqui, tão perto, mas que se desfazem tão depressa quanto o meu abrir de olhos.

sinceramente eu não vim aqui para dizer que o caminhar destas pernas parece meio exausto, medroso, angustiado. eu não vim aqui pra dizer que tudo parece fora do lugar, que o dia está sempre mais longo e que cada segundo de espera pra que esse tempo passe mais rápido significa uma lágrima a mais. sinceramente vim aqui para encontrar você.

sinceramente eu não vim aqui para secar esse rosto, para tentar sanar esse aperto que faz de mim tão menor. sinceramente eu não vim aqui para lembrar-me que perdi, e que contra isso eu não tenho como lutar. sinceramente eu vim aqui para abraçar você.

sejamos sinceros, confessei-me apenas porque ao abrir meus olhos não te encontro mais, e isso significa sempre um dia a mais sem o seu abraço. Sinceramente? se é pra ser assim prefiro que os dias não passem...

R.R.
08/09/09

terça-feira, 25 de agosto de 2009

"Só falta você"

chega de palavras robustas e de um fingimento emocional inflamado. tudo que eu queria era um pouco mais daquele seu simples olhar de sinceridade, que me arrancaram dos braços e eu não tive nem a chance de impedir. chega de tanta vontade; pelo amor de Deus...chega!

hoje peguei o telefone pra te ligar. peguei mesmo, eu ia ligar e te pedir pra vir matar a minha saudade. chega a ser meio vergonhoso confessar isso, pode até soar como loucura, mas tudo não passa de saudade. e que eu seja considerada louca então, mas não pode haver nesse mundo insanidade maior do que a de não poder te abraçar de novo.

não há um dia sequer que eu deite a cabeça naquele travesseiro e não sinta enlouquecidamente a sua falta. uma falta de escutar aquela sua risada gostosa que me fazia rir; aquele seu jeito besta de me dizer que eu não sabia experimentar as coisas boas da vida; aquele seu jeitinho de fazer carinho quando alguma coisa aqui dentro me incomodava. não há um dia sequer que eu não sinta uma angústia profunda por não poder pedir seus conselhos, ou te dar aquele abraço e urso que só você tem. não há um dia sequer que eu deixe de lembrar alguma coisa que você falava sempre, ou um trejeito, ou simplesmente veja alguma coisa acontecer e imagine o que você faria ou diria.

eu não quero ter paciência e nem quero esperar o tempo passar, porque eu sei que isso que me aperta aqui dentro só vai passar quando eu puder te ter do meu lado de novo; e eu sei que isso não vai mais acontecer. eu não quero pensar que você deixou de brilhar aqui do meu lado pra iluminar ainda mais esse céu; lá já tem tanta estrela, pra que mais uma? volta? fica um poco mais comigo?...

quando eu sentia que não ia conseguir mais você sempre aparecia com aquele jeito de quem não quer nada e fazia eu me sentir protegida. quando eu achava que seria só mais um dia sem graça você apenas sorria pra mim e fazia ser só mais um dia especial. quando eu dizia não você não descansava até conseguir um sim. quando tudo era inverno, você me fazia sentir como se fosse a mais linda das primaveras.

hoje faz frio. o céu chora ali fora e dentro desse coração também. essa ausência causa uma solidão sem solução, uma necessidade de você que eu nem conhecia, e nem sabia que tinha. meu peito chora; não chora mais de saudade, mas sim porque não consegue matá-la. eu posso fazer o que for, correr pra onde for, implorar pelo que for, mudar o que quiserem que eu mude, mas eu sei que por mais que eu olhe por essa janela não te verei mais. aqui dentro fica tudo tão vazio. eu olho por ela e não posso te ver e nem te ouvir mais colocando uma música me convidando pra dançar...ter isso só como lembrança dá um gosto tão amargo a elas.

pra sempre os dias serão de inverno. esses pés nunca mais valsarão no compasso dos seus passos. e esse sorriso nunca mais terá o mesmo brilho, porque parte dele era você e agora você reluz onde eu não posso mais te alcançar.

R.R.
25/08/09

segunda-feira, 27 de julho de 2009

licença ao Sr. Santos

...mas faço minhas as suas palavras:"tanta farpa, TANTA mentira, tanta FALTA DO QUE DIZER, nem sempre é so easy se viver!"

eu não queria nada "easy"; mas verdades tornariam a tarefa de viver um pouco menos difícil de aguentar! ;D

sábado, 4 de julho de 2009

"NADA"

acabamos por nos olhar tantas vezes, você me fazendo inúmeras perguntas e eu sem ter a mínima idéia de como respondê-las. no sussurro da sua dor eu sentia uma angústia e não sabia como te fazer suspirar sorrisos de novo.

você queria entender o pq de duas almas que diziam se amar simplesmente se desencantarem. você queria entender pq seu coração vivia por um sorriso que não sorria sequer por você ou pra você. você queria entender pq o beijo era tão gelado. você queria entender pq a porta da frente antes escancarada agora não lhe deixava sequer uma frestinha para espiar o que se passa lá dentro.

Você chorou e eu não podia nem abraçar tamanha tristeza, porque a resposta do que você me perguntava não era eu. Respostas que me confundiam e me davam certezas que, ao mesmo tempo que eu sabia que você deveria conhecer, te fariam chorar ainda mais. Não pude abraçar suas tristezas; e chorei.

Você enlouqueceu e eu não pude sequer me afastar. Afastar-me significaria ver-te chorar longe, e se eu permitisse isso deixaria que se sentisse só, quando não o estava. E quando você me permitiu chegar perto aconteceu o que eu chamaria de suave encaixe: corações próximos, quentes...e não diria nada mais que isso.

Quando me aqueci chegando a sorrir abobalhadamente, disfarcei. Fiz de conta que não gostaria de sentir saudade de ter saudade. Me comportei como se não quisesse sentir tanto carinho por mais tempo. Disfarcei e tentei esconder o prazer que meu corpo sentia em estar ali. Disfarcei e fiz de conta que a minha alma não se sentia plena te tendo ali. Escondi sensações e desejos, e ainda os faço, graças a não ser suas respostas.

A pele ficou mais flácida, algumas rugas apareceram e, como quem tropeça distraidamente em uma pedra quando caminha, consegui responder a todas as suas perguntas. O desencantar de almas se deu pq aquela que não era a sua conheceu outra alma mais apaixonante. Seu coração vivia por alguém que não sorria mais por você - aquele riso já pertencia a outro coração. O beijo era frio porque outros lábios tinham roubado o calor do seu sabor. A porta se fechou pra você e se escancarou pra outros olhos. A resposta era simples: você me perguntava sempre sobre alguém que já lhe tinha como sendo um nada, e assim não se importava com suas perguntas e menos ainda em respondê-las.

Um dia espero que se lembre que tentei não morrer pra você, tornando-me um nada, como um dia você tornou-se pra alguém. Tentei abraçar suas tristezas, não me distanciar das suas loucuras e assim encaixar-me nas suas bobas delicadas e diferentes maneiras de ser. Um dia eu espero que aquele encaixe que eu tive suavemente se transforme num encaixe perfeito. Um dia eu espero que você se lembre de você. Ou de quem você foi quando sorria de verdade.

R.R.
04/07/09